Quando eu era criança e até os meus 12/13 anos, lá em Venâncio Aires-RS, o que eu mais gostava de fazer era jogar bola, andar pela cidade batendo uma banda de pneu com um pedaço de madeira ou puxando filtros de óleo usados como se fossem pequenos carros.
Também gostava muito de ficar correndo sozinho em volta do campo, o que era uma grande diversão para mim. Brinquei muito com aquelas bolinhas de vidro (petecas ou clicas ou bolitas), e outros brinquedos simples feitos manualmente, como pião, cata-vento e pandorga.
Finalmente comecei a andar de bicicleta. Aprendi numa bicicleta de brinquedo de um amigo (Dieter Knak). Era uma bicicleta que podia pedalar para frente e para trás (roda fixa!). Depois andei na bicicleta do pai dele (Carlos Knak). Esta era uma Caloi Canarinho, uma das melhores bicicletas que já vi até hoje. A Rua Visconde do Rio Branco, onde nós morávamos, era “empedrada”. Umas pedras grandes e irregulares no meio e um “trilho” mais fácil de andar na beira da rua, e um valetão de um metro de esgoto de cada lado. Nos primeiros dias de aprendizado, com medo de cair na valeta, eu andava só no meio da rua, pulando bastante.
O meu pai nunca comprou bicicleta. Eu, quando aparecia alguma coisa para fazer com uma bicicleta, como levar algo a algum lugar, ou só levar ao posto de gasolina para encher o pneu, era aquela alegria. Lembro certa vez que um colega esqueceu a bicicleta no pátio do colégio na véspera de um fim-de-semana (parece que o nome dele era Volnei), e eu, só para ter o prazer de andar, peguei a bicicleta e fui lá longe da cidade procurar a casa dele, na Linha Coronel Brito entregar a bicicleta e voltar a pé, totalmente realizado (por ter praticado uma boa ação e, principalmente, por ter dado uma boa andada).
Depois, quando podia, andava na bicicleta do meu irmão ou na da minha irmã. A do meu irmão era uma “Goricke” aro 28 pneu fino (28x1 e ½,selo branco). A da minha irmã era uma Caloi que veio de São Paulo, aro 26 pneu balão, sem varão, tinha cestinha na frente e uma sirene parecida com a da polícia.
Em 1973, quando comecei a trabalhar com carteira assinada, comprei a minha Odomo, a única bicicleta nova que eu usei aro 26, pneu balão, freio contra-pedal, central de pino, varão duplo, a qual usei até o final de 1987, quando a vendi na loja do Arly Hickmann para ser reformada e revendida posteriormente. Eu havia vindo pedalando de Belém, juntamente com a minha mulher, ILDA (nossa lua-de-mel de 75 dias).
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